Nunca mais
Nunca mais
Nunca mais
Nunca mais
Nunca mais
E assim sempre será.
Sem mais erros para cometer e corações para destruir.
Sem lágrimas para perder e câmeras digitais para sorrir.
Sem mais dinheiro para ver, sem mais frio para sentir.
Nunca mais verá uma fila de fast food gigante
Ou dividirá um guarda-chuva rosa,
Nem passará por uma situação preocupante
Como bem uma preciosa.
Para um corpo precipitado,
O outro estagnado
Vai passar.
A areia soprar.
Vamos voar.
Seus corações não são de metal, seus idiotas.
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24.6.10
1.5.10
Merecimento
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Aquele era um homem muito escroto e feio. Todo quase fim de tarde, quando nós dividimos o dia em dois turnos e achavamos que ainda era de dia, mas na verdade faltava só umas duas horas para anoitecer e nesse horário aquele homem ia até um bar cumprimentar a clientela tradicional, não dizendo que na verdade ele queria uma cerveja de "cortesia" dos amigos e da casa. E a casa também é amiga, ora essa.
Ninguém precisava dizer - apesar de aparecer uma ou outra piada sobre - que ele ia ali só para beber sem pagar. Talvez o tamanho da barriga dele pudesse se equivaler à sua dívida, fora as calorias que ele gastava para reclamar e coçar o saco.
Se alguém perguntar para aquele homem se ele tinha sonhos, ele diria que sim. Os mesmos sonhos que reclamava quando seus filhos tinham ou quando qualquer inseto tinha, então quando contava os deles, vinha piadas. Merecidas? Talvez. Ele queria algum cabelo e um quintal para cochilar, sem muito verde, pois cortar grama não era com ele. Não sonhava muito alto, assim ignorava a existência de um jardineiro e empregados, ignorava os serviços feitos por alguém para ele. Talvez também fosse incapaz de notar que a "gentileza" dos amigos não tinha aspas, talvez até ignorasse a sua felicidade de vez em quando, mas ele não acreditava nessa felicidade também. Ela devia ser extrema e tão imaginária, de contos de fadas...
Ele era muito escroto e dependente. Só era simpático quando algo lhe era conveniente e suas piadas quando passava a conta nunca tinham graça. Era um idiota de alma e não aceitava nenhum crítica sobre ele, pois ao contrário do que pode parecer, ele se enxergava muito bem. E nem gostava de conseguir isso e ainda ser idiota. Era só bom em pedir coisas para os outros, para que eles se tornassem pessoas amadas, dedicadas, bonitas, inteligentes e lhe pagassem uma cerveja ou que pelo mesmo não desistissem disso. Talvez ele fosse assim infeliz por alguém o desejar a mesma coisa, mas acabou por não conseguir. Só talvez. Afinal, talvez fossem todos que desejassem isso.
Todo dia ele ia beber numa roda de amigos e estranhos e não precisava ser bonito, inteligente, educado, divertido, trabalhador, criativo, crente ou sei lá para gostar daqueles momentos. Ele era burro e muito feliz. E escroto.
Ninguém precisava dizer - apesar de aparecer uma ou outra piada sobre - que ele ia ali só para beber sem pagar. Talvez o tamanho da barriga dele pudesse se equivaler à sua dívida, fora as calorias que ele gastava para reclamar e coçar o saco.
Se alguém perguntar para aquele homem se ele tinha sonhos, ele diria que sim. Os mesmos sonhos que reclamava quando seus filhos tinham ou quando qualquer inseto tinha, então quando contava os deles, vinha piadas. Merecidas? Talvez. Ele queria algum cabelo e um quintal para cochilar, sem muito verde, pois cortar grama não era com ele. Não sonhava muito alto, assim ignorava a existência de um jardineiro e empregados, ignorava os serviços feitos por alguém para ele. Talvez também fosse incapaz de notar que a "gentileza" dos amigos não tinha aspas, talvez até ignorasse a sua felicidade de vez em quando, mas ele não acreditava nessa felicidade também. Ela devia ser extrema e tão imaginária, de contos de fadas...
Ele era muito escroto e dependente. Só era simpático quando algo lhe era conveniente e suas piadas quando passava a conta nunca tinham graça. Era um idiota de alma e não aceitava nenhum crítica sobre ele, pois ao contrário do que pode parecer, ele se enxergava muito bem. E nem gostava de conseguir isso e ainda ser idiota. Era só bom em pedir coisas para os outros, para que eles se tornassem pessoas amadas, dedicadas, bonitas, inteligentes e lhe pagassem uma cerveja ou que pelo mesmo não desistissem disso. Talvez ele fosse assim infeliz por alguém o desejar a mesma coisa, mas acabou por não conseguir. Só talvez. Afinal, talvez fossem todos que desejassem isso.
Todo dia ele ia beber numa roda de amigos e estranhos e não precisava ser bonito, inteligente, educado, divertido, trabalhador, criativo, crente ou sei lá para gostar daqueles momentos. Ele era burro e muito feliz. E escroto.
26.3.10
John Espigado do Amor Pequeno
Por
Bianca Caroline Schweitzer
"John..."
"Eu entendo, entendo, meu doce. Agora, durma."
E ela é atendida de pré-imediato. Mesmo com as canelas no chão feio e o resto do corpo meio-caído nos braços da falante, a respiração do rapaz já era pesada. Ele era pesado em si também, principalmente em suas culpas.
"Você sempre faz os mesmos cenários, as mesmas roupas... e, ah, que não é por odiar elas que são feias, tá, querido? Mas eu não gosto de como você sempre chega de batidas, súplicas, machucados, olhos inchados, que por mais que me devessem isso e a outros também devia, esses inchados não são por lágrimas."
"Você sempre volta."
A mulher mergulha os pés em baldes merecidos de água morna, trêmula. Apesar disso, devia ser forte como toda suas palavras eram bem formuladas e harmoniosas.
Ela massageia os calos e as bolhas, que se aliviavam instantaneamente. Ela possui uma voz rouca, mas estupidamente linda. Homogênea e pura. Podemos ver a alma dela pela voz.
"Estou cansada, com medo, fome... doida para morrer, mas acumulei muita coisa na pia e aqueles fungos do orfanato..." Ela deixa os pensamentos terminaram de transcreverem os deveres, que não são poucos.
"Imagino qual refeição John andava fazendo e o que ele quer amanhã..." Ela deixa seus devaneios mergulharem nos dos outros com carinho.
"Eu acho que é isso, mãe."
Ela gosta de se esquecer nos outros. É o que ela sempre quer, esquecer os problemas e esses por vez: que coincidência e ironia, são os outros.
John caminha a passos preguiçosos e pequenos até o cômodo, mesmo que suas pernas e corpo inteiro sejam espigados. Ele olha ela com um carinho - que sempre possui certa vergonha de mostrar e até agora a sente. Ela também olha ele, de olhos fechados. Ela sente seu calor, de olhos fechados. A bacia cheia d'água já gelada. A mãe quente. A toalha macia. John seca os pés da moça com leveza. A leva nos braços com atenção. A deita na cama.
John vai até a rua, fuma um, dois, três... Pensa, preocupado.
John sempre foi um péssima rapaz, até um péssimo homem foi! Por este último motivo voltara para casa. Ele nunca foi muito aceito, principalmente pelos vizinhos, os que decidiram odiar ele por achar que a mulher deitada com pés ferrados e encontrada em lindos sonhos... decidiram que iriam odiar ele por ela, que ela não podia odiar seu filho. Eis o engano! Primeiro: que ela não o ama. Segundo: por ser sua mãe.
"Mesmo assim fechado, você já aprontava muito desde cedo." Aquela mãe agora alisada os fios dourados dele com carinho.
A cabeça dele pesava, mas não era assim que aparentava no colo gentil da mulher.
Os inchados, fechados e calmos olhos se fecham e adormecem com o filho. Afinal, eles sempre se amavam assim, de olhos fechados.
"Eu entendo, entendo, meu doce. Agora, durma."
E ela é atendida de pré-imediato. Mesmo com as canelas no chão feio e o resto do corpo meio-caído nos braços da falante, a respiração do rapaz já era pesada. Ele era pesado em si também, principalmente em suas culpas.
"Você sempre faz os mesmos cenários, as mesmas roupas... e, ah, que não é por odiar elas que são feias, tá, querido? Mas eu não gosto de como você sempre chega de batidas, súplicas, machucados, olhos inchados, que por mais que me devessem isso e a outros também devia, esses inchados não são por lágrimas."
"Você sempre volta."
A mulher mergulha os pés em baldes merecidos de água morna, trêmula. Apesar disso, devia ser forte como toda suas palavras eram bem formuladas e harmoniosas.
Ela massageia os calos e as bolhas, que se aliviavam instantaneamente. Ela possui uma voz rouca, mas estupidamente linda. Homogênea e pura. Podemos ver a alma dela pela voz.
"Estou cansada, com medo, fome... doida para morrer, mas acumulei muita coisa na pia e aqueles fungos do orfanato..." Ela deixa os pensamentos terminaram de transcreverem os deveres, que não são poucos.
"Imagino qual refeição John andava fazendo e o que ele quer amanhã..." Ela deixa seus devaneios mergulharem nos dos outros com carinho.
"Eu acho que é isso, mãe."
Ela gosta de se esquecer nos outros. É o que ela sempre quer, esquecer os problemas e esses por vez: que coincidência e ironia, são os outros.
John caminha a passos preguiçosos e pequenos até o cômodo, mesmo que suas pernas e corpo inteiro sejam espigados. Ele olha ela com um carinho - que sempre possui certa vergonha de mostrar e até agora a sente. Ela também olha ele, de olhos fechados. Ela sente seu calor, de olhos fechados. A bacia cheia d'água já gelada. A mãe quente. A toalha macia. John seca os pés da moça com leveza. A leva nos braços com atenção. A deita na cama.
John vai até a rua, fuma um, dois, três... Pensa, preocupado.
John sempre foi um péssima rapaz, até um péssimo homem foi! Por este último motivo voltara para casa. Ele nunca foi muito aceito, principalmente pelos vizinhos, os que decidiram odiar ele por achar que a mulher deitada com pés ferrados e encontrada em lindos sonhos... decidiram que iriam odiar ele por ela, que ela não podia odiar seu filho. Eis o engano! Primeiro: que ela não o ama. Segundo: por ser sua mãe.
"Mesmo assim fechado, você já aprontava muito desde cedo." Aquela mãe agora alisada os fios dourados dele com carinho.
A cabeça dele pesava, mas não era assim que aparentava no colo gentil da mulher.
Os inchados, fechados e calmos olhos se fecham e adormecem com o filho. Afinal, eles sempre se amavam assim, de olhos fechados.
14.3.10
Antes, Mel
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Capítulo 01 de Alomorfia Ursina
Moravam cinco ursos num chalé pacato numa floresta pacata em um dia onde tudo se destruiria por completo junto da placidez da localidade. Foi terrível, terrivelmente terrível, mas, perdão, foquemos a família de Ursídeos antes do acidente incidente.
Haviam 3 irmãos, todos meninos sadios, apesar do sedentarismo anormal para um padrão de urso. Eram trigêmeos e ainda assim discutiam ocasionalmente sobre quem era o mais velho e lamberia, com direito consentido pelos pais, o resto do pote de mel. Era uma família normal, isso para o padrão de um humano, mas nessa história e só nela, também é para o padrão de um urso.
E haviam dois pais, é claro. Conservadores, divorciados e pardos. Eles normalmente eram liberais de má vontade. Procuravam espionar e pressionar os filhos sem apelar para proibições verbais e diretas. Os dois possuíam um instinto paternal quase possessivo e doentio, mas deixando todo o ar ainda permanecer calmo, sem alarme ou violência fora do perímetro audível do chalé.
Viviam rodeados de algum problema, catalizado pela própria família, mas aqueles ursos pacatos da floresta viviam felizes em voltados de um amor misterioso que foi formado antes mesmo daqueles cinco existirem. Gerações e gerações anteriores e posteriores em mutação. A atual também.
Apesar de serem animais contentes, nem tão saltitantes e um tanto problemáticos com uma porcentagem maior de felicidade que o oposto, isso não afetaria de modo algum a formação de um problema muito mais impactante que este amor formado desde suas gerações mais antigas.
Um dia...
Antes, Mel
Moravam cinco ursos num chalé pacato numa floresta pacata em um dia onde tudo se destruiria por completo junto da placidez da localidade. Foi terrível, terrivelmente terrível, mas, perdão, foquemos a família de Ursídeos antes do acidente incidente.
Haviam 3 irmãos, todos meninos sadios, apesar do sedentarismo anormal para um padrão de urso. Eram trigêmeos e ainda assim discutiam ocasionalmente sobre quem era o mais velho e lamberia, com direito consentido pelos pais, o resto do pote de mel. Era uma família normal, isso para o padrão de um humano, mas nessa história e só nela, também é para o padrão de um urso.
E haviam dois pais, é claro. Conservadores, divorciados e pardos. Eles normalmente eram liberais de má vontade. Procuravam espionar e pressionar os filhos sem apelar para proibições verbais e diretas. Os dois possuíam um instinto paternal quase possessivo e doentio, mas deixando todo o ar ainda permanecer calmo, sem alarme ou violência fora do perímetro audível do chalé.
Viviam rodeados de algum problema, catalizado pela própria família, mas aqueles ursos pacatos da floresta viviam felizes em voltados de um amor misterioso que foi formado antes mesmo daqueles cinco existirem. Gerações e gerações anteriores e posteriores em mutação. A atual também.
Apesar de serem animais contentes, nem tão saltitantes e um tanto problemáticos com uma porcentagem maior de felicidade que o oposto, isso não afetaria de modo algum a formação de um problema muito mais impactante que este amor formado desde suas gerações mais antigas.
Um dia...
12.3.10
De
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Dedos úmidos, suados, macios, que embora sejam de um morto, demonstravam um toque dourado muito bonito e calmo, embora mais fraco agora, como se ele houvesse morrido com um sorriso, impermeabilizando aquele tom de pele vivaz.
Num gesto lento e emotivo, até mesmo hipnótico de cenas bonitas e finais dos filmes, posicionei-me ao lado do corpo de uma forma que ao levantar a mão movimente-se o mínimo que me permitiria movimentar o resto do braço. Jamais permitiria que eu ou alguém quebrasse aquele braço, por mais ciente que minha mente lógica estivesse de que este braço não iria se quebrar com minha ação simples e que eu mal havia passado por momento pior, mais indesculpável, comum, duro, atroz e principalmente, inevitável, que já havia vivenciado e desejado que não existisse tempo, antes improvissado para mim por forças superiores e seletivas, para que pudesse vivenciar. Uma sensação que me faz ansiar pela morte e vida da bendita e maldita cor rubra. Que ela nunca apareça, mas que ela ainda volte de onde nunca devia ter se espalhado. Meu desejo, eis lhe conto, é a cor rubra. E meu temor, é a ver.
"Tão..." incompletei num sussurro, não esperando alguma continuação minha, nem mais algo.
Beijei parcialmente os dedos anelar e médio, separei-me um pouco, ainda perto o suficiente para sentir o perfume daquele pulso afrente e ir aniquilá-lo com meu bafo fétido. Morno. O dedo sendo uma extremidade do corpo... num mero raciocínio, a esperança volta. Fina e frágil, mas volta viva.
Consultei o pulso, sem esperar e já esperando que fosse tarde demais.
Num gesto lento e emotivo, até mesmo hipnótico de cenas bonitas e finais dos filmes, posicionei-me ao lado do corpo de uma forma que ao levantar a mão movimente-se o mínimo que me permitiria movimentar o resto do braço. Jamais permitiria que eu ou alguém quebrasse aquele braço, por mais ciente que minha mente lógica estivesse de que este braço não iria se quebrar com minha ação simples e que eu mal havia passado por momento pior, mais indesculpável, comum, duro, atroz e principalmente, inevitável, que já havia vivenciado e desejado que não existisse tempo, antes improvissado para mim por forças superiores e seletivas, para que pudesse vivenciar. Uma sensação que me faz ansiar pela morte e vida da bendita e maldita cor rubra. Que ela nunca apareça, mas que ela ainda volte de onde nunca devia ter se espalhado. Meu desejo, eis lhe conto, é a cor rubra. E meu temor, é a ver.
"Tão..." incompletei num sussurro, não esperando alguma continuação minha, nem mais algo.
Beijei parcialmente os dedos anelar e médio, separei-me um pouco, ainda perto o suficiente para sentir o perfume daquele pulso afrente e ir aniquilá-lo com meu bafo fétido. Morno. O dedo sendo uma extremidade do corpo... num mero raciocínio, a esperança volta. Fina e frágil, mas volta viva.
Consultei o pulso, sem esperar e já esperando que fosse tarde demais.
8.3.10
Alimento
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Peixes Frescos
Assados
Temperados
São gostosos.
“Se te pego”
Diz o tubarão.
No bar
O Bar
Naquele bar
Humanos são servidos
Em seu próprio molho especial.
“Eu gosto da pele”
Diz o tubarão.
E o peixe presunçoso
Pelos olhares recebidos
Pede uma
Pede duas taças
Pede três taças de leite.
“E que leite!”
Diz o tubarão.
Um dia alguns humanos,
Oito humanos...
Fugiram.
E voltaram.
“Sou vegetariano”
Diz o tubarão.
Assados
Temperados
São gostosos.
“Se te pego”
Diz o tubarão.
No bar
O Bar
Naquele bar
Humanos são servidos
Em seu próprio molho especial.
“Eu gosto da pele”
Diz o tubarão.
E o peixe presunçoso
Pelos olhares recebidos
Pede uma
Pede duas taças
Pede três taças de leite.
“E que leite!”
Diz o tubarão.
Um dia alguns humanos,
Oito humanos...
Fugiram.
E voltaram.
“Sou vegetariano”
Diz o tubarão.
7.3.10
Lugar Ameno
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Suspiros
Puros suspiros
Fumaças de cigarro
Fora dos lábios
Diga que meus dedos são macios
O som do choque, me toque
Há corte?
O mesmo de sempre?
Diga que consegue ouvir meus batimentos disrítmicos
Antes do fim não existir
No fim do túnel
O fim do túnel
A vida fora da terra
Fora de mim
Não a vida fora dos meu perímetro
Diga que hoje vai ser lindo
Ordene as lágrimas do valete
Toda tinta do meu cabelo não combina mais
A essência das bolhas de sabão
Diga que não
Tenha medo das pontas dos meus dedos
A amenidade do toque
Sob a expectativa do toque, me sopre
Puros suspiros
Fumaças de cigarro
Fora dos lábios
Diga que meus dedos são macios
O som do choque, me toque
Há corte?
O mesmo de sempre?
Diga que consegue ouvir meus batimentos disrítmicos
Antes do fim não existir
No fim do túnel
O fim do túnel
A vida fora da terra
Fora de mim
Não a vida fora dos meu perímetro
Diga que hoje vai ser lindo
Ordene as lágrimas do valete
Toda tinta do meu cabelo não combina mais
A essência das bolhas de sabão
Diga que não
Tenha medo das pontas dos meus dedos
A amenidade do toque
Sob a expectativa do toque, me sopre
5.3.10
Respiração
Por
Bianca Caroline Schweitzer
A máscara contra sua pele
impede quaisquer tipos de gás
Mas a poção borbulhante em alta temperatura
nem poderia ser considerada exceção?
Para você
Só para você
Por você
A poção, além de especial, é única
Somente pode ser formada uma por humano
Uma
E ninguém vende
Ninguém compra
Ninguém consegue
Todos querem poder
Poder
Poder ou Amor
Se eu pudesse comprar Amor
Seu amor
Só seu amor
Por mim
Eu compraria
Eu compraria sabendo da falsificação
Eu compraria sabendo que a pirataria machucaria
Machucaria meu corpo
Seu corpo
E transmutaria meu sangue em sólido
O que iria fluir mesmo?
E agora sussurrarei um segredo
perto do ouvido
perto da máscara
e do coração
De você
Por você
Que cicatrizes podem ser curadas
sem marcas anteriores
se tornando posteriores
Que pirataria pode enganar além do original
pode enganar e ser real
E que
sempre
humanos formam uma poção de puro veneno passivo
e lascivo
Ele cura a alma
Por todos
Formada por todos
Somos compatíveis?
Inevitavelmente compatíveis
post scriptum: Para a Laura.
impede quaisquer tipos de gás
Mas a poção borbulhante em alta temperatura
nem poderia ser considerada exceção?
Para você
Só para você
Por você
A poção, além de especial, é única
Somente pode ser formada uma por humano
Uma
E ninguém vende
Ninguém compra
Ninguém consegue
Todos querem poder
Poder
Poder ou Amor
Se eu pudesse comprar Amor
Seu amor
Só seu amor
Por mim
Eu compraria
Eu compraria sabendo da falsificação
Eu compraria sabendo que a pirataria machucaria
Machucaria meu corpo
Seu corpo
E transmutaria meu sangue em sólido
O que iria fluir mesmo?
E agora sussurrarei um segredo
perto do ouvido
perto da máscara
e do coração
De você
Por você
Que cicatrizes podem ser curadas
sem marcas anteriores
se tornando posteriores
Que pirataria pode enganar além do original
pode enganar e ser real
E que
sempre
humanos formam uma poção de puro veneno passivo
e lascivo
Ele cura a alma
Por todos
Formada por todos
Somos compatíveis?
Inevitavelmente compatíveis
post scriptum: Para a Laura.
16.2.10
Adaga dos Sonhos da Morte e do Morto
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Ele corria com um objeto na mão
Um objetivo no peito
E tatuagem nas costas
Uma marca dos três
Ao sorrir para o espelho
Ele riu por não conseguir
Derrotar o alien carmesim
E salvar o alvo dragão alvo
Ele chorou por
Não honrar nenhum dos três
Dos três amuletos e amigos
Amados e Amadas
O vilão morria
Com seus sonhos voando sobre seus olhos
Bem diante de si
O esqueleto, a capa e a foice
Que levou sua vida
E salvou a todos
Dele.
Com uma adaga
No último golpe
Do último suspiro de vida
Ele conjurou uma maldição
Ela dizer que, se o Bem
Derrubasse alguém sórdido como o demônio que vos amaldiçoa
Do altar do plano físico
E trouxesse paz aos inocentes e culpados
Jamais existiria felicidade plena na terra
Assim o homem imundo larga flácido a adaga
Jurando que seria eternamente infeliz
Para perpetuar sua própria maldição
Um objetivo no peito
E tatuagem nas costas
Uma marca dos três
Ao sorrir para o espelho
Ele riu por não conseguir
Derrotar o alien carmesim
E salvar o alvo dragão alvo
Ele chorou por
Não honrar nenhum dos três
Dos três amuletos e amigos
Amados e Amadas
O vilão morria
Com seus sonhos voando sobre seus olhos
Bem diante de si
O esqueleto, a capa e a foice
Que levou sua vida
E salvou a todos
Dele.
Com uma adaga
No último golpe
Do último suspiro de vida
Ele conjurou uma maldição
Ela dizer que, se o Bem
Derrubasse alguém sórdido como o demônio que vos amaldiçoa
Do altar do plano físico
E trouxesse paz aos inocentes e culpados
Jamais existiria felicidade plena na terra
Assim o homem imundo larga flácido a adaga
Jurando que seria eternamente infeliz
Para perpetuar sua própria maldição
9.2.10
Epitáfio Inevitável
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Eles estavam se escorando entre si, apertados e ansiosos. Não sabiam o que viria, mas iriam esperar.
"Por quê? Vamos embora." sussurou alguém num tom melódico.
Outro agarrou a mão mais próxima e crispou a boca, o nariz gelado, simplesmente não respondeu. Ninguém ali iria fugir, ninguém iria se manifestar, esta era a resposta. Era isso, mas se alguém fosse... se alguém fosse iria negar a vida dos companheiros deixados ali, sem dúvida. Iria negar a morte, iria negar alma.
A fileira de garotos e garotas indiciava o destino, a decisão moribunda que fizeram. Aquela noite seria a última, no terreço, nas alturas. Uma noite fria nas alturas, encostando entre si as peles arrepiadas, tremulas, embora seguras, respirando o suor frio dos amigos.
Depois de suspirar o quanto podiam, depois dos sorrisos amarelos, depois de vários "É agora.", depois de olhar para a noite nublada acima tantas vezes, eles se soltaram de corpo e deixaram-os despencar, permanecendo com olhos fechados como se tivessem ido antes da queda.
Morreram.
Seria lindo se não fosse o final. Então aquilo nunca foi lindo, porque o final sempre esteve cravado na carne.
Mereceria aplausos se fosse feliz. E não era?
Eles não sabiam o que poderia acontecer depois daquele show, mas iriam esperar aquilo. Esperar algo acontecer.
Quando você olhar e interpretar os seus respectivos epifáfios irá ver escrito o passado deles em poucas palavras. Um passado resultando qualidades. Um fator. Quando você ler o seu epitáfio irá ver como ele sempre foi inevitável antes da morte. Não importa o quanto fuja, um passado sempre estará disposto a preenchê-lo.
"Por quê? Vamos embora." sussurou alguém num tom melódico.
Outro agarrou a mão mais próxima e crispou a boca, o nariz gelado, simplesmente não respondeu. Ninguém ali iria fugir, ninguém iria se manifestar, esta era a resposta. Era isso, mas se alguém fosse... se alguém fosse iria negar a vida dos companheiros deixados ali, sem dúvida. Iria negar a morte, iria negar alma.
A fileira de garotos e garotas indiciava o destino, a decisão moribunda que fizeram. Aquela noite seria a última, no terreço, nas alturas. Uma noite fria nas alturas, encostando entre si as peles arrepiadas, tremulas, embora seguras, respirando o suor frio dos amigos.
Depois de suspirar o quanto podiam, depois dos sorrisos amarelos, depois de vários "É agora.", depois de olhar para a noite nublada acima tantas vezes, eles se soltaram de corpo e deixaram-os despencar, permanecendo com olhos fechados como se tivessem ido antes da queda.
Morreram.
Seria lindo se não fosse o final. Então aquilo nunca foi lindo, porque o final sempre esteve cravado na carne.
Mereceria aplausos se fosse feliz. E não era?
Eles não sabiam o que poderia acontecer depois daquele show, mas iriam esperar aquilo. Esperar algo acontecer.
Quando você olhar e interpretar os seus respectivos epifáfios irá ver escrito o passado deles em poucas palavras. Um passado resultando qualidades. Um fator. Quando você ler o seu epitáfio irá ver como ele sempre foi inevitável antes da morte. Não importa o quanto fuja, um passado sempre estará disposto a preenchê-lo.
15.12.09
Lima Rima
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Por seis minutos
Meros minutos
Queremos,
Clamamos
Por vultos
Adultos.
Berramos
Todos juntos.
E o
Amarelo,
Sem creme.
O modelo
Treme
Por creme
E berra
Na serra.
Vou correndo
No gerúndio
E atravessando
Latifúndios
E então
Fico rimando
E tocando
Violão.
Meros minutos
Queremos,
Clamamos
Por vultos
Adultos.
Berramos
Todos juntos.
E o
Amarelo,
Sem creme.
O modelo
Treme
Por creme
E berra
Na serra.
Vou correndo
No gerúndio
E atravessando
Latifúndios
E então
Fico rimando
E tocando
Violão.
Aquilo
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Naquele jogo,
Aquilo estava.
Suas cores
Tão frias...
Dissimulavam
A Realidade.
E eu sei bem
Que Ela,
Ela, Ele
Ou Eles
Pertencem a mim.
Masoquismo.
Oh, Masoquismo.
A Realidade não é,
Não é mesmo cruel?
O geóide azul é observado...
Por lindos,
Mas por óculos azuis muito lindos.
Ou quem conta um conto
Manipulou os cobiçados óculos?
A terra é quadrada!
E ela também é laranja!
Vociferou um homem meio magrelo.
No jogo promíscuo,
Aquilo que idolatro está.
Imagens frias,
Deveras frias
Aparecem na frente da tela.
Aparecem na frente dos meus olhos.
Aquilo estava.
Suas cores
Tão frias...
Dissimulavam
A Realidade.
E eu sei bem
Que Ela,
Ela, Ele
Ou Eles
Pertencem a mim.
Masoquismo.
Oh, Masoquismo.
A Realidade não é,
Não é mesmo cruel?
O geóide azul é observado...
Por lindos,
Mas por óculos azuis muito lindos.
Ou quem conta um conto
Manipulou os cobiçados óculos?
A terra é quadrada!
E ela também é laranja!
Vociferou um homem meio magrelo.
No jogo promíscuo,
Aquilo que idolatro está.
Imagens frias,
Deveras frias
Aparecem na frente da tela.
Aparecem na frente dos meus olhos.
zero zero Cinco Penas
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Os números são,
Mais tão,
Ferozes e ferozes
Que
Nem as galinhas
Merecem aprender matemática.
Elas pintavam,
Com penas quadriculadas,
Cinco penas
E cinco lástimas.
Galinhas não voavam
E assim vai uma lista...
005 no total,
Faltavam-lhe cinco...
Ou será que
O céu é um caminho limpo
De obstáculos
Feito para voar ao desencontro do destino?
E se elas voassem,
Quem poderia dizer,
Realmente,
Que estavam sorrindo?
Afinal, são galinhas.
Cegas no escuro do tempo.
E no final, cinco galinhas indolentes
Só conseguem pintar um Zero.
Mais tão,
Ferozes e ferozes
Que
Nem as galinhas
Merecem aprender matemática.
Elas pintavam,
Com penas quadriculadas,
Cinco penas
E cinco lástimas.
Galinhas não voavam
E assim vai uma lista...
005 no total,
Faltavam-lhe cinco...
Ou será que
O céu é um caminho limpo
De obstáculos
Feito para voar ao desencontro do destino?
E se elas voassem,
Quem poderia dizer,
Realmente,
Que estavam sorrindo?
Afinal, são galinhas.
Cegas no escuro do tempo.
E no final, cinco galinhas indolentes
Só conseguem pintar um Zero.
2.12.09
Não pise
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Olá.
Não pise na grama.
Não pise no verde.
Não pise aqui.
Voe.
Está bom.
Mas guarde segredo.
Promete?
Então você fica com a chave.
Olá.
Para onde tu queres ir?
Ainda andando?
Quer que eu te acompanhe?
Não. Odeio-te.
Vê as placas?
Vê os flocos?
É ali.
Não é ali.
Então não pise na grama.
Não pise.
Não aprendi a voar.
Não sei voar.
Não vôo.
Atire-me pela janela.
É melhor...
Tchau.
Tem certeza?
Se sentir minha falta,
Posso ir trilhar contigo.
Não tenho pés, mas...
Tchau.
Não pise na grama.
Não pise no verde.
Não pise aqui.
Voe.
Está bom.
Mas guarde segredo.
Promete?
Então você fica com a chave.
Olá.
Para onde tu queres ir?
Ainda andando?
Quer que eu te acompanhe?
Não. Odeio-te.
Vê as placas?
Vê os flocos?
É ali.
Não é ali.
Então não pise na grama.
Não pise.
Não aprendi a voar.
Não sei voar.
Não vôo.
Atire-me pela janela.
É melhor...
Tchau.
Tem certeza?
Se sentir minha falta,
Posso ir trilhar contigo.
Não tenho pés, mas...
Tchau.
Frieza
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Eu jogo coisas
E sonho.
Continuo sem resposta.
Sem sinal.
Toco sua mão,
Suplicando.
Tento alcançar seu semblante
Imutável.
Então conto um sorriso.
Nada.
Apatia.
Que insensível.
Dor.
Que sensível.
Enfim.
Eu separo e abro
Potes de veneno,
Esperando uma cura.
Uma reação.
Você.
Um dia alguém ganha.
E entraremos em sincronia mútua,
Esperando que as estrelas fechem
Os olhos
E calem a boca.
Um dia, a noite lasciva...
E sonho.
Continuo sem resposta.
Sem sinal.
Toco sua mão,
Suplicando.
Tento alcançar seu semblante
Imutável.
Então conto um sorriso.
Nada.
Apatia.
Que insensível.
Dor.
Que sensível.
Enfim.
Eu separo e abro
Potes de veneno,
Esperando uma cura.
Uma reação.
Você.
Um dia alguém ganha.
E entraremos em sincronia mútua,
Esperando que as estrelas fechem
Os olhos
E calem a boca.
Um dia, a noite lasciva...
A corrida das dobraduras de papel
Por
Bianca Caroline Schweitzer
A corrida
A dança
O movimento
Do barquinho
... De papel
Ele luta contra a água
A água que causa naufrágio
O naufrágio dos sonhos
O melhor
Causa-o numa velocidade atroz
O naufrágio
Ele também, a dobradura de papel
Luta contra o fogo
Aquele fogo
O fogo estratégico
A estratégia inimiga
Aqueles inimigos
Bombas
As bombas inimigas
Mas no fim, é
A corrida
A dança
O movimento
Do barquinho
Que importa
Isso importa
A dança
O movimento
Do barquinho
... De papel
Ele luta contra a água
A água que causa naufrágio
O naufrágio dos sonhos
O melhor
Causa-o numa velocidade atroz
O naufrágio
Ele também, a dobradura de papel
Luta contra o fogo
Aquele fogo
O fogo estratégico
A estratégia inimiga
Aqueles inimigos
Bombas
As bombas inimigas
Mas no fim, é
A corrida
A dança
O movimento
Do barquinho
Que importa
Isso importa
29.11.09
O sorriso da Dor
Por
Bianca Caroline Schweitzer
Finjamos assim:
Sou um claustrofóbico
E você... e você é
Um construtor de paralelepípedos ocos.
Se eu sofrer por isto
Você me abre ao menos uma fresta?
Se eu fugir das paredes
E dormir sob a chuva
Você me acompanha?
Todavia, se eu sentir dor
A culpa é minha?
Nunca notei o quão sádico
E dissimulado você era e é.
Ainda assim gosto do seu sorriso maroto.
Sente? São lástimas?
Não, ainda não.
É meu choro de Amor
E seu sorriso de Dor.
Conexão instável e infindável.
Sou um claustrofóbico
E você... e você é
Um construtor de paralelepípedos ocos.
Se eu sofrer por isto
Você me abre ao menos uma fresta?
Se eu fugir das paredes
E dormir sob a chuva
Você me acompanha?
Todavia, se eu sentir dor
A culpa é minha?
Nunca notei o quão sádico
E dissimulado você era e é.
Ainda assim gosto do seu sorriso maroto.
Sente? São lástimas?
Não, ainda não.
É meu choro de Amor
E seu sorriso de Dor.
Conexão instável e infindável.
25.11.09
Candura
Por
Bianca Caroline Schweitzer
As ovelhas cândidas duram assim quando estão sob o sol.
Elas, funestas nos sonhos noturnos,
Ceifam almas, manchando-se no mel rubro
E doce.
Quando estão fora de si, brancas,
Sentem saudades dos sonhos,
Das cabeças decapitadas,
Dos berros chorosos e esmigalhados.
Narcisistas formosos
Em trajes sórdidos,
Apreciam os hematomas
Antes não do sangue,
sangue carmesim.
Mas sempre voltam a refletir todas as cores,
Deixam de absorver o vermelho
Que sujava a lã.
E o branco volta.
O branco da lã.
Elas, funestas nos sonhos noturnos,
Ceifam almas, manchando-se no mel rubro
E doce.
Quando estão fora de si, brancas,
Sentem saudades dos sonhos,
Das cabeças decapitadas,
Dos berros chorosos e esmigalhados.
Narcisistas formosos
Em trajes sórdidos,
Apreciam os hematomas
Antes não do sangue,
sangue carmesim.
Mas sempre voltam a refletir todas as cores,
Deixam de absorver o vermelho
Que sujava a lã.
E o branco volta.
O branco da lã.
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